Após massacre em prisão do AM, é grande a chance de acontecer um conflito sangrento em todo o País

O massacre de 56 presos no AM era uma tragédia anunciada. Agora tudo é possível. A Força de Segurança deve localizar e prender os envolvidos, ter uma ação efetiva. A situação pode ficar feia se não houver rigor. Mas, já dá para cravar: acabou a paz

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Massacre aconteceu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, nos dias 1 e 2 de janeiro de 2017 (Reprodução/Google Earth)

O massacre de 56 detentos no presídio do Amazonas entra no velho clichê da tragédia anunciada. Em 2015, o Ministério Público de São Paulo e o Gaeco de Presidente Prudente, onde estão presos os principais líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), tinham previsto a possibilidade de haver uma carnificina entre eles e a FDN (Família do Norte). Sabiam até a região: ou no Norte ou no Nordeste, onde a FDN é dominante.

A rixa toda começou entre a facção paulista e o CV (Comando Vermelho), do Rio de Janeiro. O PCC já era rival da FDN quando os cariocas se coligaram com eles no Amazonas, Roraima e Rondônia. Inicialmente, PCC e CV mantiveram os laços que tinham por conta de acordos no Rio e em São Paulo, era mais um rompimento de voz. Agora, depois dessa matança, é rompimento total.

O PCC é minoria nas penitenciárias do Norte e Nordeste, o que torna possível uma resposta em outros estados do país, mais ao Sul e Sudeste. A matança do Amazonas pode vir a ser o estopim de um conflito nacional. É uma situação muito grave. Se o Estado não evitou uma carnificina dentro das prisões, sabendo dessa possibilidade, como vai evitar em todas as ruas do país? O crime é planejado, principalmente no PCC. Tudo é possível. Se não tiver cautela por parte dos agentes de segurança, é grande a chance de acontecer um conflito sangrento em todo o Brasil.

O Estado é o grande culpado dessa matança. Primeiro, o Governo do Amazonas, que, se tivesse agido corretamente depois das possibilidades de haver esses conflitos, evitaria tudo. Sabendo dessa chance, eles mantiveram nos mesmos presídios integrantes das duas facções. Um descaso. Outro culpado é o Governo Federal que se omitiu quando avisado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do conhecimento de presos do PCC e da FDN cumprindo penas misturados. Houve o alerta, mas nada foi feito. Agora, tudo pode acontecer.

Estamos vivendo essa realidade por conta do sistema prisional falido que temos e a descrença em sua existência. O Estado é o primeiro a descumprir a lei de execução penal. E não é só culpa do executivo, o Judiciário também contribui. Juízes e corregedores que deveriam visitar as prisões para verificar as condições nunca pisaram em um presídio. Certamente, 90% nunca fizeram isso. Não ouviram presos sobre o cumprimento da lei, do oferecimento de tratamento médico básico, se há superlotação, se há a oferta de trabalho para os presos…

Tudo isso fortalece o crime organizado, que dá aos seus membros as condições, que são responsabilidade do Estado. O crime pagam caro por tratamento médico, oferece advogados para defendê-los… Assim, consegue impor suas leis dentro dos presídios. Onde nasceu o crime organizado? De dentro das cadeias. Lá foi planejada essa carnificina do Amazonas. Dentro da cadeia. Alguns dos líderes da FDN já foram transferidos para presídios nacionais. Alguns, de outros Estados, também devem ser transferidos. Se não houver esse cuidado e punição, o risco de o conflito existir, de outras rebeliões sangrentas acontecerem, é muito maior.

A Força de Segurança deve localizar e prender os envolvidos, ter uma ação efetiva. A situação pode ficar feia se não houver uma ação rigorosa. É preciso que a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar atuem em conjunto, pois o crime é extremamente organizado, e isso não é mera força de expressão.

O ponto é que o PCC tem um exército muito forte nas ruas, coisa que a FDN não tem. Acredito que pode haver respostas dos dois lados,  dentro e fora das penitenciárias. Não na Região Norte, mas nas ruas de todo o País. São grandes as possibilidades. Acabou a paz, acabou.

 

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