Dono de clínica para dependentes ameaça testemunhas e jornalista

O suposto pastor Daniel Batista de Moraes. Foto: arquivo pessoal

Daniel Batista ameaçou fontes e autor de reportagem que o denunciou por explorar e agredir usuários de drogas. Condenado por homicídio, ele está foragido

Dono de uma clínica para recuperação de dependentes químicos em Goiás e foragido da Justiça por causa de uma condenação por assassinato, Daniel Batista de Moraes, 31 anos, enviou nesta semana uma série de ameaças, via áudios de Whatsapp, contra o repórter Yago Sales, autor de reportagem que denunciou as atividades de Daniel, publicada no jornal Tribuna do Planalto e na Ponte Jornalismo.

Os áudios foram enviados para Reinaldo Rodrigues de Camargo, o Gringo, ex-diretor da casa de recuperação Resgatando Vidas, em Aparecida de Goiânia (GO), administrada por Daniel. Gringo é o principal alvo das ameaças, que também se estendem a outras testemunhas mencionadas na reportagem e ao próprio autor da matéria. “Agora, irmão, vou denunciar legalmente o repórter Yago Sales, vou denunciar legalmente o irmão [Gringo]. Se você não tem nada com isso, me prova, entra com uma ação contra o Yago Sales, me prova melhor (…) me prova, parceiro, enquanto há tempo, me prova. O tempo das conversas acabou, mano”, afirma Daniel, que se apresentava como pastor.

“Eu não vou atrás de você, não, tem pessoas que vai, agora você não sabe nem de que lado vai vir”, prossegue o foragido nas ameaças. “Você e esse repórter burro e esse pastor mais burro ainda não pensaram”, afirma. “Vocês deveriam ter pensado antes de mexer no meu passado, agora vocês trouxeram meu passado para o quintal de vocês, amém, irmão?”, diz.

O delegado titular da 2ª Delegacia Regional de Aparecida de Goiânia, André Fernandes, disse à Ponte que designou uma equipe para capturar Daniel, que já teria fugido de Goiás. “Estamos usando todos os nossos recursos para localizá-lo e prendê-lo. [Esse caso] é prioridade total, principalmente pela questão do repórter”, afirmou.

Daniel foi condenado em 2012 a nove anos de prisão por um homicídio, cometido na noite do Natal de 2007, e a dois anos de reclusão por uma tentativa de homicídio ocorrida em 2006. Não cumpriu pena por nenhum dos crimes. Em vez disso, abriu com a esposa uma clínica para recuperação de dependentes químicos, Resgatando Vidas. Pessoas ouvidas pela reportagem que passaram pelo local descreveram a clínica como “um inferno”, em que os internos são submetidos a uma rotina de torturas e semiescravidão, obrigados a vender balas em ônibus para sustentar os proprietários.

Atualização às 18h05 – A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirma que “acompanha com apreensão” a situação do repórter. “A Secretaria de Segurança Pública de Goiás tem o dever de garantir a segurança de Yago Sales. É inadmissível que um jornalista tema pela própria vida simplesmente por exercer sua profissão”, afirma em nota.

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