Grupo carnavalesco de Recife revela perseguição da PM, prefeitura e governo estadual

3 minutos atrás

Polícia apreendeu fantasias durante bloco de carnaval de grupo que realizava protestos contra os governos municipal, estadual e federal. Corregedoria vai ouvir PMs flagrados em vídeos

“Desde 2016, estamos sendo perseguidos pela prefeitura do Recife e pelo Governo do Estado do Pernambuco”. A afirmação, feita com exclusividade à Ponte Jornalismo, é do integrante do grupo carnavalesco “Troça Carnavalesca Empatando Tua Vista” Fernando Ribamar. O grupo teve fantasias apreendidas pela PM durante o carnaval. Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (03/03), o grupo afirmou que denunciou a Polícia Militar ao Ministério Público Estadual. “A Polícia Militar se propõe a designar uma viatura com um oficial graduado para impedir uma Troça de se manifestar no carnaval“, afirma Ribamar.

“Troça” é o equivalente a uma sátira, chacota ou zombaria. O grupo “Troça Carnavalesca Empatando Tua Vista” estava preparado para desfilar e protestar, ao mesmo tempo, no sábado de carnaval (25/03), durante o tradicional Galo da Madrugada, bloco recifense que desfila há mais de 40 anos no carnaval da cidade. Estava… Até que aconteceu isto:

Policiais militares uniformizados, sem a identificação obrigatória à frente do uniforme, invadiram o prédio onde o grupo se concentrava, na Rua Bulhões Marques, bairro Boa Vista, centro da cidade. Sem apresentar um argumento legal – disseram que o grupo não tinha autorização para desfilar – eles tomaram as fantasias dos foliões. Os carnavalescos pretendiam, entre outras coisas, usar máscaras do prefeito da cidade Geraldo Julio e do governador Paulo Câmara. O protesto seria em ritmo de festa para questionar o planejamento urbano da cidade.

Na denúncia apresentada ao Ministério Público, o grupo cobra retratação pública do prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e do governador do Estado, Paulo Câmara, ambos do PSB. Exige esclarecimento da Prefeitura de Recife sobre ação arbitrária contra a livre manifestação e sobre a vigilância ao qual o grupo sofreu. O grupo carnavalesco também convoca o público a participar de um grande ato pela liberdade de expressão no aniversário de Recife, em 12 de Março.

Prefeito e governador ainda não se manifestaram sobre as exigências. Durante a semana, a OAB-PE (Ordem dos Advogados do Brasil) repudiou o caso: “A OAB-PE vê com extrema preocupação o cerceamento da liberdade de expressão do cidadão em quaisquer manifestações. Desta forma, repudia a ação de integrantes da Polícia Militar que subtraíram violentamente as fantasias de um bloco carnavalesco que fazia críticas de natureza política aos governos Federal, Estadual e Municipal”, afirma a instituição, em nota. “Tal episódio se torna ainda mais grave quando se dá no Carnaval, espaço de tradicional expansividade, inclusive na sátira política”, complementa. 

“Fantasias que protestam com alegria. De prédios que empatam a nossa vista o ano inteiro. Apreenderam”, afirmou o grupo através de uma postagem no Facebook. O grupo decidiu desfilar mesmo assim, com o que tinha restado das fantasias. Uma ideia que durou pouco mais de 600 metros, até a ponte Seis de Março, no bairro Santo Antônio, quando o grupo foi abordado pela segunda vez, também pela Polícia Militar. Assista ao vídeo:

O bloco é declarado contrário o governo de Michel Temer e aos gestores de Pernambuco. Em nota, o Comando da Polícia Militar do Recife informou que os policiais que aparecem nas imagens terão de prestar depoimento para a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social e que não tinha conhecimento da operação. Os integrantes definiram a apreensão das fantasias de protesto como “ditadura”.

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