Jovem homossexual é espancado por torcedores do São Paulo dentro de ônibus

Foto: Arquivo pessoal

Analista de telemarketing ia para casa noturna quando membros da Torcida Independente passaram a espancá-lo e a xingá-lo

O jovem Paulo Lima foi espancado por torcedores do São Paulo Futebol Clube, dentro de um ônibus – Foto: Arquivo pessoal

O analista de telemarketing Paulo Lima, 22 anos, foi espancado e xingado com palavras homofóbicas por membros da Torcida Tricolor Independente, a principal organizada do São Paulo Futebol Clube, após o ônibus em que ele estava passar próximo ao estádio do Morumbi, na zona oeste, na noite do sábado (18/02). A Polícia Civil informou que vai investigar o caso para constatar se foi crime de homofobia.

Lima, que é homossexual, contou que saiu da sua casa em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e estava a caminho de uma casa noturna na Barra Funda, na zona oeste. Segundo ele, quando o coletivo em que estava com mais um amigo passava pela avenida Francisco Morato foi invadido por torcedores são-paulinos que haviam deixado o estádio, após empate em 2×2 com o Mirassol, pela 4ª rodada do Campeonato Paulista.

Epilético, depressivo e portador das síndromes do pânico e de Bordeline, Lima estava sentado em um dos bancos, perto da porta, quando os torcedores invadiram o ônibus intermunicipal da linha 078-Pinheiros, pela porta traseira, sem pagar a passagem.

Eu permaneci quieto, assim como todos que estavam no ônibus, em choque. Então começaram a me questionar, perguntar para que time eu torcia. Da primeira vez eu fingi que não ouvi, da segunda eu disse que não torcia para time nenhum”, conta Lima.

A partir daí, segundo Lima, as agressões teriam se iniciado, com socos e xingamentos.

“Como assim não tem time? Mentira. Fala aí, a gente não vai te zoar não”, teria dito um dos homens com a roupa da Independente.

Você é uma vergonha para a sociedade, olha pra você sua bonequinha, sua bichaa, seu viado. Barbie. Sua mocinha”, disseram os torcedores do São Paulo, ainda de acordo com vítima.

Sem esboçar qualquer reação diante das humilhações de mais de 30 homens, por temer pela própria vida, Lima relata que passou a levar cusparadas, uma cabeçada no supercílio e murros no rosto. Além de um grande hematoma no olho, o jovem contou que está com cortes na boca provocados pelos socos. 

Ao dizer que ligaria para polícia, mais uma ameaça. “Pode ligar, a gente bate neles e em você também”, disse outro agressor. A reportagem não conseguiu contato com a Torcida Tricolor Independente.

Lima afirma ter tentado ligar para o 190 no momento das agressões, mas a ligação não foi completada.

À reportagem da Ponte Jornalismo, o analista afirmou que o que houve com ele é a definição de uma sociedade “intolerante, irracional, onde a maioria das pessoas não pensam e agem como animais irracionais”.

Foi homofobia, sim. Porque começaram com o meu cabelo [é pintado num tom claro], mas depois começaram a me chamar de bicha, mulherzinha e de Barbie”, completa.

Investigação

A Secretaria de Segurança Pública – SSP informou, em nota, que o caso foi registrado no 89º DP (Jardim Taboão), mas que seguiu para investigação do 34º DP (Vila Sônia), área do crime.

A nota informa também que “a vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito e orientada sobre como proceder para fazer o reconhecimento fotográfico no sistema da polícia. A natureza da ocorrência é de lesão corporal, mas ela será ouvida novamente para detalhar a circunstância e constatar se a motivação foi homofóbica.

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