Justiça tem até semana que vem para decidir se mantém Marcola na tranca-dura

Juiz que iria julgar ampliação ou não do castigo foi afastado do caso

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Foto: Divulgação

A Justiça tem prazo até o próximo dia 13 para julgar se mantém ou não o preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros 12 detentos isolados no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Segundo o MPE (Ministério Público Estadual), Marcola, apontado como líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), e os 12 detentos, integravam, mesmo atrás das grades, uma espécie de “conselho deliberativo” da facção criminosa.

Os presidiários foram investigados pela Operação Ethos, deflagrada em novembro de 2016. Na ocasião também foram presos ao menos 40 pessoas, a maioria advogados.
Elas são acusadas de pertencer ao braço jurídico da organização criminosa, conhecido como “sintonia dos gravatas”.

Uma delas é Luiz Carlos dos Santos, ex-vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana). O MPE apurou que Santos recebia uma mesada de R$ 5.000,00 mensais do PCC para colaborar com a facção, divulgando falsas denúncias de violências promovidas por agentes do Estado.

Marcola e os 12 presos foram internados no RDD em 14 de dezembro de 2016, pelo prazo inicial de 60 dias.

Eles estão isolados no CRP (Centro de Readaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes. No RDD, o preso não tem direito à visita íntima; fica duas horas diárias no banho de sol e 22 horas trancado em cela individual, sem acesso a rádio, TV, jornais e revistas.

A internação foi determinada pelo juiz Fábio Alexandre Marinelli Sola, do DEECRIM/UR5 (Departamento Estadual de Execução Criminal da Unidade Regional 5), de Presidente Prudente.

Era o juiz Sola quem iria julgar, na semana que vem, se estenderia ou não o castigo para Marcola e os 12 presos por mais 300 dias de isolamento no RDD.
Porém, segundo o MPE, por decisão da Justiça, o juiz Sola está fora do caso porque a competência para julgar a internação em RDD passou a ser da 5ª VEC (Vara das Execuções Criminais) da Capital.

Nos bastidores do MPE os rumores são de que o juiz Sola iria realmente estender o castigo para Marcola e os demais presos e, por isso, foi retirado do caso. Os comentários nos corredores do MPE também são de que os presos internados no RDD estão comemorando essa mudança.

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Aviso do PCC

No sistema prisional, agentes penitenciários estão apreensivos e temem uma onda de rebeliões, caso o castigo para Marcola e sua turma no RDD seja aumentado. No último domingo, ocorreram tumultos nas penitenciárias de Valparaíso e Lavínia 1. Quarta-feira passada foi em Presidente Venceslau 1. As três unidades abrigam presos do PCC.

“Essas ações podem ser um aviso prévio do crime organizado para uma nova onda de rebeliões, caso seus líderes tenham repique (aumento de castigo) no RDD”, alertou um agente penitenciário que pediu anonimato.

Gegê do Mangue

Outro temor dos agentes é o fato de Rogério Geremias de Simone, o Gegê do Mangue, apontado como o número 2 do PCC, ter saído em liberdade condicional na semana passada, mesmo tendo um julgamento marcado para o próximo dia 20.

No Ministério Público Estadual, as apostas são de que Gegê do Mangue não comparecerá à audiência. “Se ele for ao julgamento será a maior zebra da história. Já sabemos que ele assistiu ao jogo do Palmeiras no último domingo e que depois disso havia prometido sumir para bem longe”, revelou um promotor de justiça.

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