Mães de Maio, Ponte Jornalismo e UFBA lançam o livro “Mães em Luta” em Salvador

Lançamento ocorreu no salão nobre da reitoria da universidade, na noite de quarta-feira (05/04), durante o debate “Mães de Periferia: Educação dos Lutos às Lutas”, que reuniu familiares de vítimas da violência do Estado

O livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006” foi lançado na UFBA (Universidade Federal da Bahia), em Salvador, na noite desta quarta-feira (05/04), durante o debate “Mães de Periferia: Educação dos Lutos às Lutas”, que reuniu familiares de vítimas da violência do Estado.

Na cidade da perfilada no livro Rute Fiúza, mãe de Davi Fiúza, desaparecido depois de abordagem policial em 2014, e nunca mais encontrado, o evento reafirmou a parceria entre o Movimento Independente Mães de Maio e a Ponte Jornalismo, com apoio da UFBA.

A mesa de debate foi constituída por Débora Silva Maria, das Mães de Maio, Rute Fiúza, Everaldo de Freitas (pai de um jovem sequestrado e assassinado por policiais em julho de 2014), a escritora Cidinha da Silva (autora do livro “#Parem de nos matar!” e a Ponte Jornalismo.

De acordo com o reitor da universidade, João Carlos Salles, que disponibilizou o salão nobre da reitoria para o evento, foi uma honra colaborar com o debate. “Estamos abertos ao diálogo sobre essa questão, que é muito importante no Estado da Bahia”, diz. Na plateia, havia professores, estudantes, comunicadores e famílias de vítimas da violência policial local.

Rute Fiúza ficou emocionada nas reverências à memória de seu filho. “Eles [policiais] não deram, sequer, chance de eu enterrar o corpo do meu filho. Desapareceram com ele, mataram e eu não sei nem onde está o corpo. Isso tem que acabar no Estado da Bahia. Isso tem que acabar no Brasil”, disse.

Inspirada em Débora, que perdeu seu filho, Rogério, nos Crimes de Maio de 2006, Rute diz ter escolhido a luta e a resistência, contra a dor. “A falta dele [Davi] nunca vai sair de mim. Mas agora, além de mãe – porque ele vai ser meu filho até meu último suspiro – sou militante. Estou na luta contra o genocídio negro periférico”, afirma.

O autônomo Everaldo de Freitas perdeu seu filho, Giesson Vieira, que estava prestes a completar 17 anos, em 31 de julho de 2014. “Ele foi estudar, voltou pra casa, tomou banho e, por volta das 17 horas, foi comprar pão. Foi abordado por policiais à paisana, teve celular roubado, foi morto e jogado num lixão”.

Segundo o pai, o filho, estudante, que já trabalhava, foi confundido com um suspeito de ter matado um policial militar na manhã daquele dia 31. “Ele não tinha passagem, não tinha tatuagem, não tinha nada, nada, nada. Menino do bem. Nada justifica. E, mesmo assim, foi cruelmente assassinado”, diz.

A Ponte questionou a Secretaria da Segurança Pública da Bahia sobre o andamento das investigações da Polícia Civil e da Corregedoria da PM no caso. Até a publicação desta reportagem, a pasta não havia se manifestado. À época do crime, a Polícia Civil havia dito que o caso seria apurado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e a PM informou que a Corregedoria iria investigar possível envolvimento de policiais no sequestro e morte do adolescente.

O livro “Mães em Luta”, organizado pelo jornalista André Caramante da Ponte Jornalismo e com prefácio assinado por Eliane Brum, reúne 15 perfis de parentes de vítimas da violência policial no Brasil: 13 mães, uma irmã e uma tia de jovens assassinados.

Os autores dos perfis são os repórteres da Ponte: Luís Adorno, Luiza Sansão, Arthur Stabile, Maria Teresa Cruz, Fausto Salvadori Filho, Kaique Dalapola, Juca Guimarães, Bruno Paes Manso e Tatiana Merlino. O livro foi ilustrado pelo cartunista Junião, também da Ponte. Ainda houve a colaboração de Érica Saboya e Karla Dunder. Capa, projeto gráfico e diagração são de Silvana Martins.

Capa do livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006, parceria entre Mães de Maio e Ponte Jornalismo – Imagem: Reprodução

Como foi o lançamento, em live feito no Facebook pela Revista Afirmativa:

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