MCs transformam espaço cultural em campo de batalha de rap

Batalha aconteceu no Centro Cultural do Grajaú

Evento “Grajaú Rap City”, no extremo sul de SP, teve disputa de 16 artistas na noite de quinta-feira (20/04)

Batalha aconteceu no Centro Cultural do Grajaú / Foto: Reprodução/Facebook

O Centro Cultural Palhaço Carequinha, no Grajaú, periferia da zona sul de São Paulo, virou um campo de batalha entre MCs na noite de quinta-feira (20/04). A segunda edição da Batalha Grajaú Rap City reuniu centenas de pessoas para assistir a disputa entre 16 rappers que, na improvisação, fizeram rimas para eliminar os adversários.

Quem vence dois rounds passa de fase. Nas duas primeiras etapas da disputa, cada artista tem 30 segundos para fazer as rimas — eles têm a tolerância de alguns segundos para finalizar. Caso cada um vença um round, a disputa vai para o terceiro, que não conta mais o tempo, apenas a quantidade de rimas de cada competidor. Quando precisa ir para o round decisivo, cada artista começa fazendo quatro rimas e, depois, os MCs tem o direito de fazer duas rimas, intercalando, até cada um improvisar quatro vezes.

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As regras não são difíceis de compreender. Segundo Helibrown, que esteve presente nesta edição da batalha, os MCs precisam apenas seguir as mesmas regras da vida. “Não xingar a mãe, não xingar a mina do cara. A gente não aceita ofensas sexuais, questões de raça, crédulo e questão de gênero. A batalha é uma luta, são ofensas, vão agredir, mas não pode agredir de uma forma que tire a moralidade que o rap prega”, disse.

Seguindo essas regras, na segunda batalha que teve dentro do Centro Cultural, os dois competidores foram eliminados por homofobia. Assim como é feita a decisão de todos vencedores das batalhas, o público também tomou a decisão com os MCs que usaram termos homofóbicos: “tira os dois”.

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Quando quatro artistas passaram para semifinal da disputa, às 22h, o Centro Cultural fechou. A batalha continuou do lado de fora, na praça. Sem microfone e sem a batida nas caixas, os artistas usaram apenas a voz. Os MCs Bruno e Peu passaram à final, eliminando Dollynho e o vencedor da primeira edição RH, respectivamente.

Na final, por 2 a 0, o MC Bruno foi campeão. Para falar sobre a vitória, não teve rima nem improvisação: “pode falar palavrão? Foi da hora para caralho”, comemorou.

O vencedor destacou que as batalhas no Grajaú são importantes para os artistas que não conseguem ir para outros pontos da cidade para participarem dessas disputas. “Vários moleques aqui da quebrada vieram e botaram a cara, porque é um negócio do lado, então já abre oportunidade para todo mundo que quer entrar nesse mundo”.

Bruno também participou da 1ª edição da batalha, em 6 de abril / Foto: Reprodução/Facebook/Roney Silva

Helibrown também destacou a realização da batalha na periferia. O organizador afirma que é importante levar o rap para bairros centrais, mas é preciso também “manter na quebrada, porque o hip hop não seria nada se não saísse da quebrada para ganhar o mundo”.

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A terceira edição da Batalha Grajaú Rap City está marcada para o próximo dia 4 de maio. De acordo com os organizadores, que são os rappers Ladakipnis, Jpa Epycentro e Gah MC, o evento deve acontecer na quadra da Escola de Samba Terceiro Milênio, que fica ao lado do Centro Cultural. A organização ainda disse que a batalha vai acontecer a cada 15 dias.

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