Mulheres bradam contra a desigualdade de gênero no Rio de Janeiro

Além de pautas como a legalização do aborto e o fim da violência contra a mulher, manifestantes também bradaram contra Governo Temer em ato que reuniu milhares na capital fluminense no Dia da Mulher

Ato contra a desigualdade e a violência de gênero, no Centro do Rio. | Foto: Pedro Prado

A luta contra a desigualdade de direitos entre os gêneros em manifestação que reuniu centenas de mulheres no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira que marcou o Dia Internacional da Mulher, também foi uma luta contra o atual presidente, Michel Temer. Brados de “Fora Temer” ecoaram na Candelária, Centro da capital fluminense, em ato que aconteceu em outras 55 cidades brasileiras, simultaneamente.

Milhares de jovens, estudantes, crianças, mães ocuparam a Avenida Rio Branco, caminharam em direção à Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e defenderam os direitos das mulheres, pautando a legalização do aborto, a violência de gênero e a reforma da previdência proposta pelo Governo Temer, enquanto o presidente fazia, em Brasília, discurso que logo foi duramente criticado nas redes sociais e na mídia em geral, por reforçar o estereótipo machista no qual o papel da mulher se limita à criação dos filhos e aos trabalhos domésticos.

“Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela [Temer], do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher”, declarou ele, no Palácio do Planalto. Ele também afirmou que a mulher tem um papel importante na economia do país porque é  “capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados” e “identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.

Enquanto isso, nas ruas do Rio, a ativista Fabiana Amorim, de 19 anos, do coletivo feminista “Juntas”, defendia o veto ao programa de reforma da previdência, no qual as mulheres são nitidamente mais prejudicadas por terem mais horas de trabalho do que os homens. “Não é uma luta por direitos iguais, mas por uma equiparação”, disse ela. “Nosso protesto é para que o movimento feminista agregue todas, nem uma a menos. Todas mulheres são bem-vindas. É necessário pensar na sociedade como um todo”, completou.

A estudante de jornalismo Marcela Lisboa, de 25 anos, em ato pelo Dia da Mulher no Rio. | Foto: Pedro Prado

A estudante de jornalismo Marcela Lisboa, de 25 anos, questionou o fato de muitas mulheres não terem podido interromper suas atividades para participar da mobilização feminista que promoveu a Greve das Mulheres no dia de ontem. “A pergunta é: quem foi que parou? Minha mãe não pode parar, eu estou aqui por ela”, afirmou.

Com o nome “Greve Internacional de Mulheres no Brasil”, o evento no Facebook reuniu quase nove mil pessoas interessadas.

Ato contra a desigualdade e a violência de gênero, no Centro do Rio. | Foto: Pedro Prado

Um dia antes da manifestação, a Casa Nem, no bairro da Lapa, abriu as portas para a confecção de cartazes e lambe-lambes para a realização de uma intervenção urbana como forma de protesto no ato do Dia da Mulher.

Para a ativista trans Indianara Siqueira, é importante que esse movimento também paute a inserção das transexuais, cis e das prostitutas que ainda sofrem preconceito. “As prostitutas são deixadas de lado por serem vistas como traidoras, como mulher a serviço do patriarcado. Querem silenciar a voz delas”, declarou.  “As prostitutas sabem o que sofrem”, finalizou.

Com o filho no colo, a chefe de cozinha Ana Tomazewski, de 31 anos, disse que fez questão de fazer a greve ao menos por meio período de seu dia. “A paralisação é fundamental, faz com que sejamos mais ouvidas. São muitas questões em pauta”, declarou. “Eu trago a questão do aborto legal e contra a maternidade compulsória”, completou.

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Ato contra a desigualdade e a violência de gênero, no Centro do Rio. | Foto: Pedro Prado

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