Munição que atingiu fotógrafos é de uso exclusivo das polícias

Celular "salvador" ficou completamente destruído (Crédito: Marcelo Chello)

Uma das vítimas encontrou o projétil na calça jeans e consultou especialista em munição, que confirmou que o calibre é .40

Celular “salvador” ficou completamente destruído (Crédito: Marcelo Chello)

Os disparos que atingiram dois fotógrafos em uma ação da Polícia Militar na Cracolândia, no centro de São Paulo, no  dia 23 de fevereiro, partiu de uma pistola .40, de uso exclusivo das polícias. Na ocasião, Dário Oliveira foi atingido na perna e Marcelo Chello no bolso onde estava o celular, que o salvou, mas ficou completamente destruído. Na semana passada, a pedido da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de São Paulo (Arfoc-SP), as vítimas e representantes da entidade foram recebidas no gabinete da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, quando apresentaram a nova prova. Nessa audiência, integrantes dos órgãos da segurança pública questionaram que o calibre do projétil não é o suficiente para afirmar que o disparo partiu de um policial, já que a arma poderia estar na mão de criminosos. A tese já tinha sido usada pelo chefe da pasta, há um mês, mas com uma justificativa um pouco diferente.

Fotógrafo descobriu projétil quando levou a calça para lavar (Crédito: Marcelo Chello)

Na manhã do dia seguinte à ocorrência, o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa, chegou a afirmar que tinha certeza que o disparo não tinha partido dos policiais, porque na ação não houve uso de armas letais, inferindo que os tiros vieram do fluxo – dos usuários e traficantes. “Nós podemos afirmar hoje que não houve disparo de munição letal realizado por policiais militares. Então estamos procurando apurar, com ajuda de câmeras, quem teriam sido os autores dos disparos. Foram contabilizados seis disparos na região da Cracolândia“, disse o secretário em coletiva de imprensa, há um mês.

Depois da reunião entre Arfoc e órgãos de segurança, a SSP pediu um tempo para verificar o inquérito. De acordo com a associação, alguns dias depois a chefe de gabinete da pasta de segurança informou o número do inquérito à entidade e o distrito policial responsável pelo caso e sugeriu que a nova prova fosse apresentada para o delegado. Ainda segundo a Arfoc-SP, até o momento, nenhum dos dois profissionais foi procurado para prestar novo depoimento.

Outro lado

Em nota, enviada por e-mail à Ponte Jornalismo, a SSP, atendida pela empresa CDN, informa que “estão em andamento investigações, tanto pela Polícia Civil – com Inquérito Policial instaurado pelo 77°DP, para apurar a ocorrência de lesão corporal e disparo de arma de fogo – como também pela própria Polícia Militar que instaurou um procedimento interno para averiguação, ambos com o intuito de esclarecer a autoria dos disparos durante ação de PMs na Rua Helvétia com a Rua Dino Bueno, no centro de São Paulo, no dia 23 de fevereiro, quando seis policiais, entre integrantes do Corpo de Bombeiros e do policiamento local, ficaram feridos, além de dois civis, atendidos na Santa Casa. As polícias aguardam os fotógrafos apresentarem informações que ajudem nas investigações”.

A Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de São Paulo continua cobrando providências.

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