Não, não somos racistas

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O racismo não está apenas na fala, na ofensa, no insulto, na discriminação feita às claras. É, antes, um sistema segundo o qual a realidade está organizada, e que orienta a vida, o dia a dia. Para ficar mais fácil: racistas não acham que o são quando estão “apenas” reproduzindo aquilo que aprenderam como certo.

 A diferença é que, até pouco tempo atrás, tudo isso era aceito, com variados graus de indignação, dos gritos (surdos, já que ninguém ouvia) da população negra à indiferença total dos privilegiados na sociedade. Não é mais assim – e não voltará a ser. O mundo mudou, a consciência se espalhou. Ainda não tanto quanto é necessário, claro. Mas de modo irreversível, sem dúvida. Daqui pra frente, racistas, quando tentarem passar, ouvirão muito protesto e terão de encarar tanto a lei quanto a vergonha social.

 Segue o relato do atleta olímpico de taekwondo Diogo Silva, medalha de ouro do Pan de 2007, que foi publicado em sua página do Facebook na quinta-feira, dia 29 de julho de 2015:

 “Hoje, às 9 horas da manhã, indo para o treino, cheguei à região de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Estava no meu carro e passaram dois policiais, cada um em uma moto. Um deles passou direto. O outro ficou me medindo, olhando pra dentro do carro, e então me parou e perguntou: “Você já foi preso?” Olhei para o sujeito já sabendo o que aquela pergunta significava e respondi ironicamente: “Eu sou atleta olímpico, nunca fui preso.” Ele, não contente, perguntou: “Esse carro é seu, está no seu nome?” Respondi: “É meu e está no meu nome.” O policial ainda ficou me medindo e depois foi embora.

Eles dizem que é abordagem de rotina. Nós sabemos que a cor é o que me faz suspeito.”

Chega, né?

 Junião, cartunista e ilustrador da Ponte Jornalismo

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