Policiais à paisana são suspeitos de matar atendente de pastelaria de 20 anos

ONG recebeu relatos de que atiradores eram policiais. Mãe exige justiça, afirma que filho foi baleado sete vezes e diz que vai cuidar dos dois netos com o mesmo amor

Lucas era amigo de todos no bairro porque trabalhava na pastelaria, de onde voltava quando foi morto, há dois anos. Ele deixa dois filhos – Foto: Arquivo Pessoal

O jovem Lucas Santana Rodrigues Araújo, 20 anos, que trabalhava em uma pastelaria de Sapopemba, periferia da zona leste de São Paulo, foi morto na noite da última quarta-feira (1º/03) após ser baleado sete vezes. Ele estava indo buscar o filho da casa da mãe, depois de um dia de trabalho. Na rua, um grupo de amigos estava conversando. Quando ele parou para conversar com os amigos, criminosos passaram pela rua em um carro prata abrindo fogo contra quem estivesse lá.

Araújo foi atingido sete vezes, na cabeça, peito, costas, virilha, braço e perna. Além dele, um adolescente de 16 anos foi baleado nas costas. Ambos foram socorridos ao Hospital Estadual de Sapopemba por policiais militares, que os levaram dentro da viatura. No hospital, Lucas não resistiu aos ferimentos. A Secretaria Estadual de Saúde não confirma o estado de saúde do jovem de 16 anos.

De acordo com o CDHS (Centro de Defesa dos Direitos humanos de Sapopemba), que acompanha casos de violência do Estado no bairro da periferia da capital, há relatos de que os atiradores são policiais. “Após chegar do trabalho, Lucas foi até a casa da mãe buscar o filho quando dois policiais à paisana chegaram atirando”, afirma a ONG, em nota.

Revoltada, a mãe de Lucas, Juciara Santana Santos, afirmou à Ponte Jornalismo querer Justiça. “Eu acabei de enterrar meu filho. Com 7 tiros. Na cabeça, nas costas. Eu acabei de enterrar meu filho. 20 anos! 20 anos! Não tinha passagem, nunca roubou. Não entendo como alguém tem coragem de fazer isso com outro ser humano, ainda mais um menino tão bom, como era meu filho”, diz.

Juciara conta que o filho era amigo de todos no bairro porque trabalhava na pastelaria, de onde voltava quando foi morto, há dois anos. “Tiraram a minha alegria. A minha razão de viver. Meu filho era tudo para mim. Tudo. Ele tinha dois filhos. Uma menina de 6 meses, e outro de 2 anos. Vou criá-los com todo o carinho e amor que tive, tenho e vou ter para o resto da minha vida pelo meu filho”.

Rua onde os dois jovens foram baleados – Foto: Reprodução/Google Maps

De acordo com o CDHS, os dois criminosos estavam em um Siena prata, com placa de Santo André, cidade do ABC Paulista. De acordo com a organização, após os dois garotos baleados terem sido levados ao hospital, PMs colocaram uma fita para isolar o local do crime até a chegada da perícia. Dois homens chegaram no local à paisana se dizendo peritos, mas os moradores relataram que, depois, peritos identificados chegaram.

Amigos e familiares protestaram na zona leste na tarde desta sexta-feira (03/03) Foto: CDHS

O sepultamento do jovem ocorreu por volta das 15h desta sexta-feira (03/02), no cemitério da Vila Alpina, zona leste. Familiares e amigos realizam uma manifestação pedindo por justiça e denunciando os frequentes casos de violência que acontecem nos bairros do distrito de Sapopemba.

Gestão Geraldo Alckmin (PSDB)

Às 16h03 desta sexta-feira (03/03), a reportagem da Ponte Jornalismo solicitou à SSP (Secretaria da Segurança Pública), através de sua assessoria de imprensa, terceirizada pela empresa CDN Comunicação, um posicionamento sobre a morte de Lucas Santana Rodrigues Araújo e a suspeita do envolvimento de policiais no crime. Até a publicação da reportagem, a pasta da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) não se posicionou.

Amigos e familiares protestaram na zona leste na tarde desta sexta-feira (03/03) Foto: CDHS

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