Família afirma que ambulante que trabalhava há quatro anos no mesmo lugar foi preso injustamente

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Esposa de um dos vendedores de balas diz que marido foi preso acusado de roubar celular por ser negro

O ambulante Wilson Alberto Rosa. Foto: Reprodução/Facebook

O trabalhador ambulante Wilson Alberto Rosa, de 32 anos, foi preso na manhã da última sexta-feira (13), no sinal de trânsito da Avenida República do Líbano com Avenida Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, sob a acusação de ter roubado um aparelho celular e um tablet no ano passado.

De acordo com Washington Moraes, que acompanhava Wilson na venda de balas no sinal, um homem chegou no local, se identificou como policial civil, colocou os dois vendedores de joelhos e os prendeu em uma grade. Em seguida tirou fotos do rosto dos dois homens e teria enviado em grupos do WhatsApp.

Ele conta que o homem, a princípio, queria levá-los à delegacia usando seu carro particular. No entanto, uma viatura da PM chegou antes. Washington, então, foi dispensado, e Wilson foi levado à 27ª Delegacia da Polícia Civil, em Campo Belo.

Na delegacia, uma mulher teria reconhecido Wilson como a pessoa que roubou seu celular e seu tablet em agosto de 2016. Os aparelhos, entretanto, não foram localizados com Wilson, segundo Washington. Ainda assim, ele ficou preso e assinou o B.O. (Boletim de Ocorrência), enquadrado no Artigo 157 do Código Penal, que qualifica o roubo mediante grave ameaça ou uso de violência contra a vítima.

O ambulamte Wilson Alberto Rosa. Foto: Arquivo pessoal

A esposa do vendedor, Leandra da Silva, acredita que Wilson foi vítima de racismo e ressalta que não foi ele quem roubou os aparelhos. “Ele foi preso por racismo, porque a mulher [dona dos aparelhos] achou que quem roubou ela era um negro, e falou que foi meu marido só porque é negro também”, afirma.

Wilson mora no Jardim Herplin, extremo sul de São Paulo, com a esposa e mais três filhos, de 5, 11 e 13 anos. O filho do meio é autista e, por isso, Leandra se dedica integralmente ao cuidado dele. O homem começou a trabalhar como ambulante em sinais aos seis anos de idade e, desde 2013, vende balas no cruzamento onde foi preso.

Procurada pela reportagem, a assessoria de impresa da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) confirmou a prisão de Wilson pelo roubo dos aparelhos em agosto do ano passado. No entanto, não respondeu se o homem foi preso em uma grade na rua por um policial civil. A pasta ainda disse que um inquérito foi encaminhado à Justiça e foi solicitada a conversão da prisão em preventiva à Justiça.

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