Sem habilitação, neto de ex-chefe da PF se envolve em acidente com morte

O carro que a vítima Gabriel José de Lacerda Moreira, 18 anos, dirigia - Foto: Reprodução

Neto de Jaber Saadi e filho de agente federal, Felipe Saadi Ortiz é piloto de corridas nos EUA. No fim do ano passado, bateu fortemente em um carro, cujo motorista morreu

O carro que a vítima Gabriel José de Lacerda Moreira, 18 anos, dirigia – Foto: Reprodução

Felipe Saadi Ortiz, de 18 anos, é piloto de corridas em Orlando, nos Estados Unidos, mas não tem carteira de habilitação para dirigir carros ou motos no Brasil. No dia 30 de dezembro de 2016, o jovem — filho de Carlos Eduardo Ortiz (policial federal lotado no gabinete do deputado federal Marcelo Squassoni) e neto de Jaber Saadi (ex-superintendente da Polícia Federal em SP) — se envolveu em um acidente, enquanto dirigia uma BMW em Alphaville, área nobre da cidade de São Paulo.

O carro que o piloto de corridas Felipe Saadi Ortiz, 18 anos, dirigia – Foto: Reprodução

No acidente, um outro rapaz, da mesma idade de Felipe, Gabriel José de Lacerda Moreira, acabou morto. Felipe Ortiz e um amigo fugiram do local do acidente. À Polícia Civil, além de afirmar que não tinha carteira de habilitação, ele disse que fugiu por medo de ser linchado pelas testemunhas que viram o acidente, ocorrido por volta da 1h30 daquele dia, na avenida Yojiro Takaoka. O rapaz, de família com nome forte na PF, vive nos EUA. Mas vai ficar no Brasil até tudo ser esclarecido. Ele vai responder por homicídio culposo consumado na direção do veículo, fuga do local e lesão corporal.

As vítimas foram resgatadas. Quatro amigos de Gabriel sobreviveram – Foto: Reprodução

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Gabriel estava com outros quatro amigos dentro do carro em que ele dirigia, um Voyage cor preto, modelo do ano de 2011. Felipe dirigia uma BMW 125i, azul, de 2014. Os amigos de Gabriel afirmam que viram a BMW em alta velocidade e colidindo contra o carro em que eles estavam. Ambos seguiam na mesma direção na via. Já Felipe afirma que Gabriel estava com os sinalizadores apagados e, repentinamente, trocou de faixa. Por isso, não conseguiu frear a tempo.

Pai de Felipe foi até uma farmácia próxima do local do acidente e teria ameaçado testemunhas – Foto: Reprodução

Uma das vítimas que estava no Voyage afirmou à Polícia Civil, após ter sido resgatado, que, depois de ter sentido o forte impacto, perdeu a consciência rapidamente, mas, quando retornou, viu correndo à pé pela via o dono da BMW. Uma outra testemunha, que estava com Felipe, afirmou que após o acidente, os dois prestaram auxílio, inclusive retirando uma da pessoas das ferragens, mas passaram a ser agredidos. Com medo de ser linchados, saíram do local. Um vídeo, ao qual a Ponte Jornalismo teve acesso, mostrou o pai de Felipe, em frente a uma farmácia da região, ameaçando quem, segundo a defesa, ameaçava o piloto de corridas.

Felipe afirma que Gabriel estava com os sinalizadores apagados e, repentinamente, trocou de faixa – Foto: Reprodução

Em entrevista à Ponte, a mãe de Gabriel, Vitória Lacerda, afirma que estão tentando criminalizar o filho, por ser pobre e estar envolvido em um acidente com um rico. “O velocímetro estava travado. Meu filho estava a 40 km/h. Qualquer imbecil sabe que, se ele estava nessa velocidade, é impossível que o outro rapaz não estivesse em alta velocidade. Olha as imagens. A pancada foi muito forte”, diz. A família diz que o laudo da perícia já saiu, mas ainda não teve acesso ao documento.

Outro lado

A Ponte tentou entrevistar o advogado de Saadi, Luiz Flávio D’Urso, mas ele não atendeu aos telefonemas da reportagem. A responsável pela investigação na Delegacia de Polícia de Santana de Parnaíba é a delegada Isabel Cristina Ferraz. Num primeiro momento, a reportagem foi orientada a procurar diretamente a SSP (Secretaria da Segurança Pública), que não se manifestou até a publicação da reportagem, para mais explicações.

Num segundo momento, a delegada Isabel aceitou conversar com a reportagem. “O laudo que a família diz que já saiu ainda não chegou aqui. Ele vai ser um divisor de águas dessa história. Por ele, vamos saber por onde ir com a investigação”, disse. De acordo com ela, Felipe ainda sequer foi ouvido pela Polícia Civil. “Ele não deveria ser preso até o momento porque a carteira de habilitação de piloto vale por 6 meses aqui, como funcionaria se fosse o contrário também. No entanto, ele ainda não apresentou a carteira que tem de lá, que vai ser usada como prova”, afirmou.

A delegada disse, também, que tem as informações de que o pai de Felipe foi até uma farmácia naquela noite dizer aos amigos do Gabriel que “com violência não se chegaria a nenhuma lugar e que não era assim que as coisas funcionam”, mas, segundo ela, é uma informação irrelevante para a investigação criminal.

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